A Desumanização no Serviço Público

A Administração Pública no Brasil se organiza na base teórica da Burocracia de Max Weber, que se fundamenta em uma rígida hierarquia de papéis bem definidos e especializados, através de regras formais (legalidade), levando, assim, a desumanização do atendimento ao cidadão, característico da burocracia.

Portanto, os servidores públicos não são compreendidos/considerados em sua individualidade, visto que é apenas parte de uma grande engrenagem a serviço do cidadão. Sendo que todos agem conforme os ‘manuais’ elaborados segundo princípios científicos, a Administração Pública atingirá o máximo de eficiência e eficácia.

Além da desumanização do serviço público, também é desumanizado o servidor que não lida com os cidadãos, mas com um ‘caso’. Portanto, o público-alvo passa a ser um ‘caso' e não um ser humano.



Apresenta-se como alternativa a essa dita desumanização, o Novo Gerencialismo ou governo mínimo neoliberal, também já abandonado pela gestão Federal do Partido dos Trabalhadores. A nova proposta tem foco nos resultados e não nos processos. Assim, os usuários das políticas públicas, devem ser tratados como consumidores.

 O papel do governo deve de regular os serviços e não de prestar diretamente os serviços. Para isso deve estabelecer parcerias com organizações não governamentais (ONGs) e parcerias entre o setor público e o setor privado (PPPs) e propõem a descentralização da Administração Pública.

Nesta nova perspectiva a municipalização dos serviços se torna necessária e a prestação de serviços fica mais próxima do cidadão. Deve-se proporcionar autonomia os funcionários públicos, para que os mesmos possam ser criativos e inovadores no atendimento de seus ‘clientes’. Deste modo exige-se a humanização do Serviço Público e do funcionalismo.

Teoricamente os tópicos acima parecem excelentes, para que a Administração Pública seja eficácia, eficiência e efetividade. Porém, o que se precisa na prática é um programa de formação continuada, instalações físicas dignas, proporcionalidade de servidores para a demanda de serviços, remuneração justa, entre tantos outros requisitos necessários para que o Serviço Público seja de qualidade.